"Meu pai não trata um servo assim."
Três ou mais vidas atrás, eu preparava longa e cuidadosamente um sermão sobre a Parábola do Filho Pródigo. Entre os hinos e cânticos que eu avaliava pra incluir na liturgia em torno do sermão, um destacou-se por uma frase que me comoveu da maneira mais profunda possível:
Meu pai não trata um servo assim.
Sim, meu pai nunca maltrataria um servo, um empregado, um ajudante, um subordinado, um desconhecido, um irmão de fé, um visitante, um hóspede, um estranho. Um filho. Uma filha.
Aquele sermão jamais foi pregado. Acho que nunca será. Tudo bem. Não preciso trovejar de um púlpito como já o fiz. Mas posso fazer minhas as palavras que um poeta imaginou proferidas por aquele filho que um dia quis se ver tão longe do pai.
Nem deixaste-me falar da ingratidão
Morreu no abraço o mal que eu fiz
Festa, roupa nova, anel, sandália aos pés
Voltei à vida, sou feliz.
Porque eu sempre tive um pai. E um Pai.


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