Nosso jardim tinha um espaço reservado para plantarmos onze -horas. Sem grama. Mas o jardineiro demorou. E nasceram nesse espaço muitas dormideiras (sensitivas). Minha filha adorava fazê-las dormir. Um belo dia, meu pai, que nos visitava , inocentemente arrancou todas aquelas "ervas daninhas", com seus espinhos ameaçadores. Vovô queria o bem da neta, claro. Mas ela sente falta das dormideiras até hoje. Acha que pode fazer a mesma brincadeira com as quebra-pedras que encontra. As onze-horas já estão em seu lugar. Belas como são, nunca fo r am tão interessantes quanto as dengosas dormideiras. Para minha filha, a quem amo mais que tudo, dedico o poema abaixo. Mimosa e Bela Gonçalves Dias I Tão bela és, tão mimosa, Qual viçosa Fresca rosa, Que em serena madrugada Despontada, Rorejada Foi pelo orvalho do céu; E a aurora que tudo esmalta, Brilha reflexos de prata No orvalho que ali prendeu. ...