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Mostrando postagens de 2014

Como Nossos Pais

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Hoje eu sei Que quem me deu a ideia De uma nova consciência E juventude Tá em casa Guardado por Deus Contando vil metal... - Belchior, por Elis Regina, por Maria Cristina & Os Elísios . A atualidade dessas palavras torna-as ainda mais dolorosas hoje do que há quase quarenta anos, quando trovejaram na voz de Elis. Ontem, foi a vez de Maria Cristina fazê-las trovejar de novo, diante de uma plateia arrebatada. Inacreditável, pra dizer o mínimo. Não sei pelos outros, mas eu, mole que sou, quis chorar.

O amor é essencial

Já pensaram num mundo Onde a fé não existe, Onde há desespero E nenhuma esperança? Eu já. E posso garantir: é horrível. Mas aos versos acima seguem-se algumas das mais luminosas palavras já proferidas: Se contudo existisse Uma gota de amor, Poderia por fim subsistir. Também posso afirmar: é a mais pura verdade. Inspirado em I Coríntios 13, seguramente a mais bela descrição do amor de todos os tempos, Jader Santos compôs essa canção para seu belíssimo musical, Cristo a Luz, que em 1988 mereceu o aplauso até de publicações não religiosas. Alguns anos depois, tive o prazer de ouvi-la, e ao musical inteiro, cantada pelo Grupo Vocal Zênite, de Paulo Afonso, BA, dirigido na época por José Julene. O mais importante, porém, é que essas palavras me trazem à mente uma pessoa extraordinária; e muitíssimo querida por mim. Em toda oportunidade que tive na vida de estar perto dela, jamais me foi possível duvidar que o amor existe. Ela é feita disso, e seu amor - por esposo, f...

Abelárdicas: Marquinh05: Que você vai ser quando crescer, filho...

Abelárdicas: Marquinh05: Que você vai ser quando crescer, filho... : Quando descobri o texto abaixo, Dilma já era presidente. Mas, nesta era da mediocridade, esse texto brilhante ainda não ficou anacrônico. Pa...

Mimosa e Bela

Nosso jardim tinha um espaço reservado para plantarmos onze -horas. Sem grama. Mas o jardineiro demorou. E nasceram nesse espaço muitas dormideiras (sensitivas). Minha filha adorava fazê-las dormir. Um belo dia, meu pai, que nos visitava , inocentemente arrancou todas aquelas "ervas daninhas", com seus espinhos ameaçadores. Vovô queria o bem da neta, claro. Mas ela sente falta das dormideiras até hoje. Acha que pode fazer a mesma brincadeira com as quebra-pedras que encontra. As onze-horas já estão em seu lugar. Belas como são, nunca fo r am tão interessantes quanto as dengosas dormideiras. Para minha filha, a quem amo mais que tudo, dedico o poema abaixo.     Mimosa e Bela Gonçalves Dias    I Tão bela és, tão mimosa,  Qual viçosa  Fresca rosa, Que em serena madrugada  Despontada,  Rorejada Foi pelo orvalho do céu; E a aurora que tudo esmalta, Brilha reflexos de prata No orvalho que ali prendeu. ...

AGLACY MARY: Pela hora da morte

AGLACY MARY: Pela hora da morte : Pensei no novo título depois de já publicado no Cinform A mãe morreu, e a filha mais velha, Dona Nalva, que devia beirar seus 48 anos...

"A Valsa", de Casimiro de Abreu - declamado por Paulo Autran

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A Valsa

Casimiro de Abreu Tu, ontem, Na dança Que cansa, Voavas Co'as faces Em rosas Formosas De vivo, Lascivo Carmim; Na valsa Tão falsa, Corrias, Fugias, Ardente, Contente, Tranquila, Serena, Sem pena De mim! Quem dera Que sintas As dores De amores Que louco Senti! Quem dera Que sintas!... — Não negues, Não mintas... — Eu vi!... Valsavas: — Teus belos Cabelos, Já soltos, Revoltos, Saltavam, Voavam, Brincavam No colo Que é meu; E os olhos Escuros Tão puros, Os olhos Perjuros Volvias, Tremias, Sorrias, P'ra outro Não eu! Quem dera Que sintas As dores De amores Que louco Senti! Quem dera Que sintas!... — Não negues, Não mintas... — Eu vi!... Meu Deus! Eras bela Donzela, Valsando, Sorrindo, Fugindo, Qual silfo Risonho Que em sonho Nos vem! Mas esse Sorriso Tão liso Que tinhas Nos lábios De rosa, Formosa, Tu davas, Mandavas A quem ?! Quem dera Que sintas As dores De amores Que louco Senti! Q...

Nel mezzo del camin...

Olavo Bilac Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada E triste, e triste e fatigado eu vinha. Tinhas a alma de sonhos povoada, E alma de sonhos povoada eu tinha... E paramos de súbito na estrada Da vida: longos anos, presa à minha A tua mão, a vista deslumbrada Tive da luz que teu olhar continha. Hoje segues de novo... Na partida Nem o pranto os teus olhos umedece, Nem te comove a dor da despedida. E eu, solitário, volto a face, e tremo, Vendo o teu vulto que desaparece Na extrema curva do caminho extremo.

Pagodes

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A beleza da espiritualidade oriental, traduzida em arquitetura; e esta, por sua vez, em música impressionista, genial, inesquecível. Inesquecível pra mim, que tive o prazer de ouvir essa música das mãos de meu mestre; de, ouvindo-o tocá-la, me ver imerso em ambientes que trazem para o nosso alcance nada menos que a transcendência. Quando eu crescer, mestre Alcides Lisboa, quero ser como você. Capaz de encantar e inspirar ao som de "Pagodes".