Jamais houve um Natal como este. Nem faz dois meses, perdi meu pai. A COVID-19 roubou de mim muitos anos de convívio com um velhinho que, imaginávamos todos, não partiria antes de cem anos bem vividos. Minha mãe está isolada, com suspeita – supomos infundada, mas não se pode arriscar – de COVID-19. Minha irmã cuida dela, as duas trancadas sozinhas. Minha esposa e minha filha, a centenas de quilômetros de mim. Eu estou sozinho. As primeiras notas da primeira vez que ouvi Noite Feliz nesta véspera de Natal me encheram de pranto. Ouvi muita música natalina, assisti a muita fala natalina, li de homens que buscavam o sentido maior da vida, jantei pão dormido com arremedo de café que eu mesmo fiz. Só, triste e, no entanto, grato. Só, triste e grato. Grato. Pelos que eu amo e que me amam. Fui dormir, enfim. E ganhei meu presente. Sonhei com meu pai. Pude passar precioso tempo com ele de novo. Na casa dele, onde sempre fui recebido com amor inefável. Não era uma imitação tosca, era meu pai ...
Faltou uma definição própria ;)
ResponderExcluirQue tal uma sua? Seria bem-vinda. :-)
ExcluirRosivaldo Alves 4 de novembro de 2012 17:52
ExcluirQue tal uma sua? Seria bem-vinda. :-)
O QUE É DO HOMEM
ResponderExcluira dor não some.
tentar esquecê-la
é inútil:
ela consome.
não há meio
nem remédio
fora do que seja
pensar
em um jeito
de estar de bem
com a dor
que se tem.
a dor não some.
mas o pensamento
(para compensar)
o bicho não come.
(Aglacy Mary)