No meu pé de serra




Ouvir Luiz Gonzaga é pensar no meu pai. Nascido na Paraíba, mas criado desde muito cedo nos pés de serra onde nasce o Rio Pajeú, em Pernambuco, vem dele minha alma sertaneja, minha saudade de uma vida que só vivi nas memórias dele, mas que sinto como minha. Soma-se a essa saudade a lembrança das vezes que ele me levou, ainda muito criança, pra passar férias naqueles recantos distantes, onde se vivia "sem rádio, sem notícia das terra civilizada" (sic).

Que música do Velho Lua poderia melhor evocar a imagem de meu pai? Difícil escolha. Mas, dentre tantas, uma me assalta a lembrança nestes dias que correm. Essa é pra você, meu Painho.


No Meu Pé de Serra
Luiz Gonzaga

Lá no meu pé de serra
Deixei ficar meu coração
Ai, que saudades tenho
Eu vou voltar pro meu sertão
No meu roçado eu trabalhava todo dia
Mas no meu rancho eu tinha tudo o que queria
Lá se dançava quase toda quinta-feira
Sanfona não faltava e tome xote a noite inteira
O xote é bom
De se dançar
A gente gruda na cabocla sem soltar
Um passo lá
Um outro cá
Enquanto o fole tá tocando,
Tá gemendo, tá chorando,
Tá fungando, reclamando sem parar.

Composição: Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira

Comentários

  1. Caro Rosivaldo Alves!

    Muito legal seu post, relembrando as suas raízes e, acima de tudo, as marcas deixadas por seu pai.
    Atualmente a presença dos pais na condução pessoal, familiar e profissionalo dos filhos é algo cada vez mais distante. A referência se perdeu no tempo e como fruto temos uma sociedade cada vez mais egoísta, individualista, mal educada e gananciosa. A ética e a boa educação ficaram no passado.

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    Respostas
    1. Claudio, muito obrigado pelas considerações. Tornaram mais valioso o sentido do que publiquei.

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    2. Rosivaldo Alves 18 de junho de 2012 20:08

      Claudio, muito obrigado pelas considerações. Tornaram mais valioso o sentido do que publiquei.

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  2. Rosivaldo, sempre gostei do Gonzagão e essa música hoje é minha preferida...acho que, por morar tão longe dos melhores lugares (simplicidade de vida) para se viver...

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  3. Entendo bem dessa saudade do vivido alheio. Feliz de quem pode senti-la. Às vezes dói, mas sempre faz nossa história mais rica.

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